Mostrando postagens com marcador isabela. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador isabela. Mostrar todas as postagens

domingo, 15 de novembro de 2009

Consciência Negra e o Besouro Mangangá.

Isabela Diefenthäler Oliveira

Besouro – Da capoeira nasce um herói
Mesmo depois de dez anos da abolição dos escravos (1888) muitos negros ainda não sabiam se essa libertação havia, de fato, sido boa para eles. A maioria dos escravos não tinha preparo para trabalhar em outros serviços e muitos ainda se submetiam aos abusos impostos pelos senhores de engenho e coronéis.
Em um cenário cheio de lutas, vilipêndios e discriminações é que nasce Manoel Henrique Pereira, o Besouro, um capoeirista brilhante.
Depois da morte de seu mestre pelos capangas do Coronel, percebeu que seus dons deveriam ser usados para proteger seu povo, que estava acuado e oprimido.
Com a influência do espírito de seu mestre, ele se harmoniza com os orixás e com a natureza e vai descobrindo seus poderes mágicos, que o transformam em herói de seu povo.
O Besouro tinha um talento espetacular, foi apelidado de Besouro Mangangá, uma espécie que é conhecido por sua dolorosa ferroada. Durante o filme, é possível observar a destreza com que ele conduz seus passos de capoeira e foge dos senhores que querem sua morte.
Besouro tornou-se um mito, um símbolo da luta pelo reconhecimento da cultura negra no Brasil, e com certeza deve ser lembrado até hoje. Em uma época cheia de ódio e preconceitos, Besouro teve a percepção da importância de lutarmos por nossos ideais de igualdade, solidariedade e respeito.
Cerca de uma semana antes do dia da consciência negra, creio que esse é um bom filme para reflexão de valores e idéias. Principalmente de nosso papel enquanto cidadãos livres e com autonomia para construir um mundo melhor para as próximas gerações.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Você já levou uma picada de abelha? Eu já!

Isabela Diefenthäler Oliveira

Era uma sexta a tarde e eu estava andando pelas ruas pensando em como passar uma tarde agradável no meu “day off”. Quando eu vi o cartaz do filme, achei tão bonitinho, que não resisti e logo fui comprar meu ingresso.
A Vida Secreta das Abelhas é um filme muito emocionante. Chorei do começo ao fim. E pude notar que ou demais espectadores também não puderam controlar suas lágrimas.
O elenco é ótimo, Alicia Keys, Queen Latifah (adoro ela), Dakota Fanning e outros que não lembro o nome.
A história é de uma menina que aos quatro anos mata a mãe por acidente, triste não?!
Mas isso não é o principal, a história se passa dez anos depois desse episódio, quando a menina, já na adolescência começa a descobrir a arte de se relacionar com as pessoas ao seu redor. Apesar de não falar deles abertamente, o filme retrata muitos valores importantes.
Em um lar distante do seu Lily encontra o amor que muitas vezes lhe faltou em casa, e através das pessoas que a cercam acaba se deparando com o passado de sua falecida mãe e aprende um pouco sobre o fabuloso mundo das abelhas.
É um filme envolvente com certeza. E gostoso de se ver, posso dizer que fiquei tentada a conhecer mais sobre as abelhas. Lembro que quando estava no colégio sempre aprendíamos a falar sobre divisão do trabalho em comunidade através dos exemplos das abelhas...animalzinho interessante esse. Seria muito bom se aprendêssemos mais com ele, vai uma picadinha de abelha hoje?!

quinta-feira, 30 de julho de 2009

O ponto fraco da mulher é um shopping?

Isabela Diefenthäler Oliveira

Aos 25 anos, Rebecca Bloomwood, consegue um emprego trabalhando como jornalista econômica em Nova York. Ela mora com a melhor amiga, Suze, e tem compulsão por comprar, tanto que seu salário nunca é suficiente no fim do mês. Enquanto ela se esforça para conseguir pagar suas dívidas, acaba atraindo a atenção de um colega de redação. E que colega!
Os Delírios de Consumo de Becky Bloom é um filme muito simpático. Um pouco diferente do livro, o filme que é bem água com açúcar, agrada principalmente o público feminino (mas não é unânime). Ele mostra uma realidade (até triste) de uma moça com problemas serissimos com o consumismo e o amor por roupas e acessórios. Com seu figurino produzido por Patricia Field, (a mesma de “O Diabo Veste Prada”), o filme exibe um repertório vasto de grandes marcas como Christian Louboutin, Balenciaga e Marc Jacobs.
É claro que é um tanto exagerado, mas é possível se identificar em muitos momentos com ele. Com o desenrolar da história o filme parece um tanto quanto clichê, pois aborda inúmeros elementos repetidos em filmes do gênero. Apesar da ser previsível, o filme tem ótimos momentos para quem procura diversão e boas risadas. Eu gostei do filme, no entanto, reconheço que é preciso ser um tanto desencanada e consumista para gostar dele.

terça-feira, 21 de julho de 2009

O Clube da Luluzinha, ou melhor da Jane Austen (que de Luluzinha não tem nada!)

Isabela Diefenthäler Oliveira

O Clube da Leitura de Jane Austen é um filme muito interessante. Não se parece em nada com os filmes adaptados da autora que estamos acostumados a assistir. Jane Austen é conhecida por entender e conseguir materializar através de seus personagens a alma feminina. Em um universo bastante contemporâneo com muita classe e bom humor o filme consegue ser profundo e abordar temas relevantes.
A história é sobre cinco mulheres e um homem que fazem parte de um grupo de leitura e através desses encontros e muitas vezes desencontros, passam a questionar e entender melhor as mudanças que ocorrem em suas vidas, uma espécie de terapia em grupo onde expõem seus conflitos internos, dilemas e problemas amorosos. Durante a trama é possível se encontrar em muitas das situações vividas pelos personagens e o modo como debatem os assuntos escritos por Austen nos faz querer ler os livros da autora.
O que mais gostei desse filme é que foge daquelas famigeradas comédias românticas, que ao meu ver já estão bem saturadas (eu adoro comédias românticas, mas vocês devem convir que está na hora de inovarem os scripts, não?!) e de um modo irreverente e um tanto despretensioso acaba sendo uma ótima opção.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Boa morte ou eutanásia. Você tem coragem para decidir o dia da sua morte?

Isabela Diefenthäler Oliveira

Um filme que me marcou muito foi o “Mar Adentro”. Não sei se muitas pessoas assistiram esse filme do diretor Alejandro Amenábar, mas ao meu ver o filme é imperdível.
Ramon Sampedro um marinheiro (forte, lindo e viril) fica tetraplégico aos 28 anos quando fazia um mergulho. O filme retrata a trajetória triste desse rapaz, o modo como se relaciona com o mundo, com as pessoas e principalmente com a morte. Conta também a história de duas mulheres que amaram Ramon, primeiro uma jovem com dois filhos e depois uma advogada que o tenta ajudar porque ela também sofre de uma doença degenerativa e acaba o incentivando a publicar os poemas que escreveu durante a vida.
Em alguns momentos é possível ficar extremamente indignado com a vida e a crueldade do mundo. O filme incomoda. Passa uma sensação de impotência. No entanto, funciona como um drama imperdível para quem gosta da vida ou para quem precisar reafirmar sua existência. É uma obra de arte. Denso, pesado e consegue sustentar seu ritmo por possuir diálogos afiados e personagens cativantes, o que nos traz a comoção e a preocupação com o destino dos personagens.
Com uma fotografia maravilhosa “Mar Adentro” aborda questões densas sem apelar ao sentimentalismo barato.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

A Índia que não se vê na TV.

Isabela Diefenthäler Oliveira

Acabei de assistir o tão comentado “Quem quer ser um milionário” (Slumdog Millionaire). Fiquei bastante impressionada com a produção do filme, que por sinal, recebeu uma série de premiações.

A história, que mistura a dura vida dos habitantes da periferia de Mumbai com as aspirações cheias de esperança da nova Índia, tem como protagonistas astros completamente desconhecidos do público ocidental e apenas um famoso em sua terra natal.

O jovem indiano muçulmano Jamal se inscreve num programa de perguntas na TV para ganhar 10 milhões de rúpias. Ao longo do programa, o espectador descobre mais sobre a vida de Jamal, sua infância pobre nas favelas de Mumbai (antiga Bombai) junto a seu irmão Salim e a amiga Latika. E o que se vê é mais do que simplesmente uma retrospectiva da vida de Jamal: é a história de uma comunidade inteira, é a regeneração dela através da própria regeneração de Jamal! É o amadurecimento da alma desse rapaz tão profundo, um sobrevivente que realmente sabe as respostas. Aliás, guarde essa frase: ele sabe as respostas.
A cada pergunta feita a ele, Jamal vai buscar a resposta na sua jornada, como um herói das narrativas mais antigas do mundo. Tudo o que ele viveu no passado se transforma em algum tipo de conhecimento ao qual ele atribui significado no momento presente, acionado pelas perguntas do programa e decifrado pelo seu depoimento na delegacia de polícia. Na sua imensa e intensa necessidade de apreender todo e qualquer conhecimento à sua volta, Jamal aguça sua percepção ao longo de sua jovem vida, a princípio para fugir da morte e viver mais um dia. Porém, naquele momento em que está no programa, juntando tudo o que aprendeu, Jamal está no limiar do próximo passo lógico de sua existência: sua regeneração e individuação. E a partir daí começará a realmente viver e usufruir dos frutos de sua coragem, sinceridade e obstinação.

O que achei muito interessante é que o filme mostra uma Índia desconhecida por muitos de nós. Com problemas sociais gravíssimos que na maioria das vezes não são mostrados na novela das 8, onde tudo é bonito, rico e cheio de cores. A Índia mostrada no filme é seca, cinza, cruel. Achei muito marcante no inicio do filme o terror vivido pelos pequenos indianos que eram manipulados por “empresários” para conseguir dinheiro, como marginais. Algo semelhante com o que muitas vezes podemos presenciar no Brasil. Enfim, o filme é muito interessante. Vale a pena ser visto.